14 de dezembro de 2009 às 19:42
Especialista garante que emissário é alternativa segura e não polui praias
O emissário submarino que a Companhia de Águas e Esgotos do Rio Grande do Norte (Caern) pretende construir em área próxima à Barreira do Inferno não poluirá as praias de Natal ou de Parnamirim. A garantia foi dada na manhã desta segunda-feira (14) pelo professor da UFRJ, Paulo Rosman, um dos maiores especialistas brasileiros no estudo de correntes marinhas. Ao expor os estudos realizados sobre o emissário submarino da Barreira do Inferno na Casa da Indústria, o professor afirmou que "a chance dos efluentes retornarem à praia é zero".
Segundo Rosman, o modelo de emissário proposto pela Caern, adotando um tratamento secundário, pedido pela população, significa uma prevenção máxima, desnecessária, porque só o tratamento primário seria suficiente para o lançamento dos esgotos no mar. "Bastaria o pré-condicionamento para o lançamento dos efluentes. Mas a Caern pretende construir um emissário com tratamento secundário,que afasta qualquer possibilidade de comprometimento da qualidade da água das praias da cidade", informou. O modelo levou em consideração um complexo conjunto de informações que vão desde o movimento das marés às vazões pluviais. Ele disse que Natal possui outra vantagem em relação a outras cidades que possuem emissário. "Aqui o sol é muito intenso e a ação do sol é extremamente eficiente na purificação da água", explicou.
Na ocasião, o presidente da Caern, engenheiro Walter Gasi, comentou a ausência daqueles que criticam o método de tratamento dos esgotos da zona Sul de Natal e de Nova Parnamirim. "É lamentável que alguns dos maiores críticos do projeto não estejam aqui para discuti-lo com um especialista. Esta já é a quinta vez que a Caern convida a população para discutir o projeto do emissário, antes da audiência pública que deve ser realizada no início do próximo ano para aprovarmos esse projeto", salientou Gasi.
Já o presidente da Federação das Indústrias do Rio Grande do Norte (Fiern), empresário Flávio Azevedo, fez um pronunciamento na condição de líder dos empresários do Estado, afirmando ser favorável ao emissário submarino e "aqueles que confundem ecologia com ideologia e não estão aqui, não podem reclamar". Em tom enfático dirigiu-se à Diretoria da Caern, como aliado na luta para resolver o problema dos esgotos na capital, dizendo que não há mais tempo a perder em relação à construção do emissário. Este foi o quinto encontro para exposição e discussão sobre o emissário submarino com diversos segmentos da sociedade natalense.
O doutor Paulo Rosman é mestre em Engenharia Oceânica e PHD em engenharia costeira pelo Departamento de Engenharia Civil do Massachusetts Institute of Techonology, nos Estados Unidos. Há 29 anos é professor do Departamento de Recursos Hídricos e Meio Ambiente da Escola Politécnica da Universidade Federal do Rio de Janeiro, (UFRJ) e da área de Engenharia Costeira e Oceanográfica do Programa de Engenharia Oceânica da COOPE/UFRJ. Walter Gasi, na abertura do evento afirmou:"Estou apresentando o professor Paulo Rosman como a maior autoridade no assunto, que já orientou mais de 70 teses de doutorado".
O emissário submarino da Barreira do Inferno é o único no país a receber tratamento secundário. Terá 2.732 metros de extensão mas, para o professor Rosman, reduzindo para 2.100 metros já seriam suficientes para manter protegidos os 300 metros da área de balneabilidade da costa. Dos 2.732 metros indicados pela Caern, 2.600 metros são de emissário e 132 de rede difusora que funciona como esguichos (furos) para dispersão do efluente a uma distância de três metros entre uma saída e outra. Os estudos baseados em diferentes estações do ano, com ventos soprando em direções desfavoráveis, todas as posições testadas apresentaram resultados positivos, sem causar ameaça de poluição às praias.
RECURSOS
A Caern já tem recursos assegurados pelos governos federal e estadual no valor de R$ 81,4 milhões para inves